quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pouco é muito que me sobra

Outro dia pra esquecer a tristeza
e chegar no momento em que se fala ou
passa o tempo simplesmente
sem mudança de data das coisas inúteis,
comecei a contar cada gota da chuva
que caia
E foi, uma a uma,
retendo o tempo no espaço
galgando as transparências do pousar,
do sonhar,
do talvez

De repente veio uma voz dentro de mim,e
precipitei-me ,começei a chorar e a cair como a chuva
antes a me contar
perdi a conta_quantas gotas sou antes que eu chore?
Por onde me escorro entre meus próprios sulcos?
Antes de mais nada,evaporei
e me desfiz no infinito

-brain-

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Música de Cristal

Ela é de Souza
segura o sol
com os braços
na cintura
Ninguém pode
com ela
nem na crista
nem debaixo da terra
Ela risca e trisca
e não tem futrica

Ela é cris e tal
Cristal


É bem verdade
não sei muito dela
Se no seu mar
tem todas aquerelas
Se o sol se põe
só na vontade dela
Com seu verso
celestial
Com sua voz
original
Com ela
nada é normal

Ela é cris e tal
cristal

Vem ao mar
quando quer
Risca o chão
com os pés
Desce ao céu
quando é

é,é,é...

Ela é cris e tal
Cristal

(Para a poetisa Cris de Souza)

-brain-

*Música musicada de improviso
para desconcerto em ré maior

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sua orquídea floresceu
você deve estar por perto
Sinto a casa_mas não vejo
Que medo de florescer por dentro
que medo das pétalas se desprenderem
numa saudades sem fim
Pensei que não sabia chorar
rego o jardim enquanto penso

-brain-


*Hoje 26 de outubro,minha mãe faria 65 anos...
Por essas coicidências da vida,
sua orquídea floresceu nesse tempo....

sábado, 2 de outubro de 2010


"Já me foi tirado tudo
Meus avós,meu pai,
minha mãe,
As lembranças
de infância com a minha mãe,
Minha infância!
A alegria inocente
Minha inocência!
Beberam meus dentes de leite!
Já me foi tirado tudo !
E ainda sim procuram por mim!
Até quando?

-brain"

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Minha amiga se chama borboleta

(Pra minha amiga Vaninha)


Quando a borboleta voa
na sua essência plena de eternidade,
não vemos o esforço de nossos olhos
em conter a intangível beleza
nela contemplada


Quando ela deslocar o ar
com suas asas
(que são os olhos de Deus
a tremeluzir)
não se sabe o espaço tempo
mas a dor
morre de medo

Quando a borboleta pousa(o impossível)
nosso olhar pousa,ligeiro,desastrado
milhões de movimentos
circundam e sustentam
o que não pode ser dito
em palavras

(Brain)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Modus in rebus

às pressas fiz promessas
às cegas feri donzelas
às claras pedi compressas
às escondidas poli desculpas

às pressas feri promessas
às cegas poli donzelas
às claras fiz compressas
às escondidas pedi desculpas

às pressas pedi promessas
às cegas fiz donzelas
às claras poli compressas
às escondidas feri desculpas

algures e amiúde o modo
fingirá de maneira tal
que deveras será

entrementes
flexiono o clarão
em vão


(Brain)

Divinal

Na teia
equilíbrio do monociclo
menina e menino
emaranhado de sonhos
tecendo o amanhã
o destino
É Deus criança
de círculo em círculo
rindo sozinho

(Brain)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Arrumando-se (ia)

Varre e sai
na ludibriez absoluta
em híbridas tentativas
de permanecer em fé

Compara e compra
acessórios,anestésicos e anagramas
com a analítica de sentimentos acrílicos
sentidos na sintética forma do saber

Aquilo sulfúrico por dentro
que por fora sufoca
matéria da matéria
limpa a fundo como pano de fundo
o plano de fuga, fugaz,
o fogão a lenha

cinzas,cinzas,cinzas

São regras das entranhas(estranha)
Primícias compostas
de cangalhas,que sustentam as falhas
de lágrimas,que eternizam o nome
de letras, que incendeiam as ideias

(fogo contemplador)

(Brain)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Desmedido


Lhe quero assim e assado
com vontade e desvantagens
Lhe quero no íntimo e particípio
na temperatura certa e sem pressa
Lhe quero boca e palavrões
desconcertos e apertos
Lhe quero carne e alma
com sede e leveza
Lhe quero pelo cheiro
pelos lados
pelos quartos
enquanto houver tato
Lhe quero
Até esvair-me pouco a pouco
por lhe querer assim

(Brain)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Epitáfio


Por se longo
o que vou dizer-lhes
estremeço os trechos
por assim dizer;

Vem amplidão
reverdeça o epicédio
de aqui jaz
Batiza o verbo querer
dos longos dias de nascimento

Afasta o tempo
em nome da
beleza do
mundo

sábado, 14 de agosto de 2010

Em si


Se o amor me chegasse
porta a dentro
feito fosse tangível
a mim caberia
Mas o amor é soluçante
e de susto não passa
de pedra mesmo sendo água,quebra
tilinta as coisas
desatina os bichos
Se o amor não é das coisas aos gritos,
dos bichos em desespero de causa;
Me chega um receio nos olhos mudos:
Está em mim por que desconheço

(Brain)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Olhos


Há coisas tão minhas,privo-me
contorce-me as coisas´causa-me
A linguagem é desigual,e de súbito revelações
É a solidão do sol,que por mais esteja perto
está anos luz de distância do outro que entenderia
Permito-me a tristeza
é que me cabe nesse momento,
pois no dia que estava mais feliz
ninguém percebeu

A meia altura do maciço disse;
Abrete-te a si mesmo
adentra-se as aberturas

Nada coube nas externas

(No proibido olhos do princípio,desvãos)

(Brain)

Sempiterno


Das coisa mais belas
é por ti que espero
no cume do tempo

Ao nível do mar
não espero o mar
transvaso
ao amar

Os quatro cantos
e estações
mar ,céu ,tempo e terra

Das coisas mais difíceis
morrer impossível
esperar-te-ei sempre

(Brain)

Pré profano


Não me bate arrependimentos tardios
ou outros de espécie,e tempo...
Pois já foi tudo premeditado
pelo profeta
Pois que também
essas palavras
profanas de quem vos
fala

(Brain)

Des café arruinado


Des café arruinado

No café ressequido de saudades
desperta lembranças
corrói por dentro

cristais de lágrimas

(Brain)


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Hoje


Hoje

Hoje quero a não existência,
a gaveta vazia
nada de bom nada de mal
Hoje aos poucos,
quase não me sinto...
Hoje,me dói essa existência
o que nela me perdoa...
em tudo que vejo,
inventado enquanto
dormia

(Brain)

sábado, 24 de julho de 2010

Razão do desconhecido


Razão do desconhecido

Dei um tiro na vida
tudo nela morreu
tudo nela sou eu
outros de mim seguiram
pouco de nós compreenderam

(Vozes do futuro reclamaram sua vez,
rostos transfigurados no desencanto do universo,
sol se transformando em guizos,
anunciando o esboço
no chão da última palavra)

(Brain)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A cura


vou te expor
aos meus espinhos
sem remorsos
ao meu veneno
sem remanso

vou descosturar
meu abismo
inefável
pra que você caia
no vazio
das coisas que falo

vou fechar a janela do tempo
pra que tudo saiba
no espaço instante
da minha loucura
o desfecho chocante
da sua cura

(Brain)

sábado, 17 de julho de 2010




Underground begin
(antes do começo)

Estou aonde o sol se esconde
crepuscularmente medonho
O escuro sou eu
A cambaleante rotina infortúnia
é minha

Meus olhos pequenos
sofrem,ardem de tanto tatear
por entre frestas abissais
o nome,o segredo,a fonte
de todas as perguntas

O Elo está perdido
O tempo garimpando os minutos
O degelo não chegará
A sorte ainda não nasceu
Apenas eu

(Brain)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Amor zen




teus olhos puxados , arreia
são peças
quebra cabeça
teus olhos

teu estilo "slit-eyed"
orientalmente nunca chegou
aqui
contrasta com meu nagô


nunca de tê-los
sigo
teu kimono
origami de flor
a mais bela paz
ritualisticamente
tcha-no-yu

わたしは、あなたを愛しています

(Brain)

Quase lá

Estou quase poeta
a casca quase trinca
a rima quase rima
a métrica é besta à bessa

Estou quase poeta
próximo do clarão
do portão
do Drummond

Estou quase poeta
no incubadouro
rascunho promessas

Estou quase poeta
verso versus espera
vice-versa

(Brain)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Programa Aleatório da Janela (aperta o play)

Na esfera brilhante do instante
vejo a dança dos círculos
vindo na minha direção
Estrela de algodão
Dente-de-leão
Causando uma espiral de eletrificação
no horizonte de evento (distante)
É o curto circuito da pedra preciosa
redemoinho iluminador da revelação

Vejo do caleidoscópio uma explosão estelar
Flor-de-lótus num tom verde amigo
relativamente calmo,manchado pelo spray do sono
Fumaça ou água?
Agonia da aranha
Morango na caixa da galáxia
Descanso do tornado
Jazz...(delirante)

(Brain)

Sesheps



Decifra-te ou engana-me
Te devoro me salvo
Enigma-me

(Brain)